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Futebol - I Liga: Super Mário Imparável

Porque será que Jardel teima em estragar a festa ao Benfica? Porque será? Porque o avançado é um fora-de-série, essa é que é essa. Quando se pensava que o Sporting tinha uma entrada de "leão" e saída de sendeiro, como diz o povo, o brasileiro virou um resultado que, pensava-se, já não fugiria ao Benfica. E com isso manteve a sua equipa na liderança do campeonato. Mas a história do jogo terminado empatado nem sempre deixou antever o final que acabou por se verificar.

Entrando moralizado, o líder do campeonato mostrava-se na condenada Luz preparado para dar a estocada no desmoralizado Benfica, cheio de problemas internos e com a casa cada vez mais desarrumada. Mas, afinal, com o decorrer do filme, a história desenvolvia-se diferente. A lógica não funcionava e a vitória quase assentava na equipa que estava em pior momento de forma.

Perante o espectáculo perguntava-se: onde esteve este Benfica, que mostrou aquilo que não se tem visto nos jogos anteriores? Ligação entre sectores, domínio do meio-campo e jogo ofensivo de calar o adversário. E o Sporting, para onde foi? No primeiro tempo, a equipa de Alvalade mais parecia um leãozinho inofensivo, sem meio-campo e sem conseguir criar jogadas ofensivas - daquelas que põem a render os avançados que valem dois golos por jogo. Claro que, no final, surgia a resposta: o Benfica andou escondido, mas não teve gás para vencer, e o Sporting estava ali, adormecido sim, mas com força, carácter e querer para festejar o Natal como líder.

A festa começou emotiva, com côr luz e muito fogo de artifício. Era a despedida de parte da catedral, que amanhã começa a ser parcialmente demolida. Talvez por isso, o Benfica tenha querido festejar o facto da melhor forma - com uma vitória sobre o velho rival (o que não conseguiu). E, por isso, entrou a dizer ao vizinho do outro lado da Segunda Circular que ali, na Luz, quem mandava era ele.

A jogar em contra-ataque, a equipa de Toni cedo arrumou o meio-campo leonino. Jogava duro - João Pinto bem se pode queixar - é certo, mas isso garantia-lhe eficiência, e o maior beneficiado foi Robert Enke, que pouco trabalho tinha, a contrastar com o labor de Tiago.

A determinação atacante dos "encarnados" haveria de ser premiada. A uma entrada dos benfiquistas na área leonina, Beto respondeu com um corte manual, de recurso e Simão marcou o castigo. As bancadas quase vinham abaixo... antes do tempo. Incrédulos, os benfiquistas, por verem a sua equipa domar os "leões"; estes a fecharem e a abrir os olhos, para concluirem se era verdade aquilo que se passava, agradecerem o intervalo.

O recomeço mostrou uma realidade diferente daquela que se vira antes. Os "leões" viraram o jogo: entraram decididos, subjugaram o adversário, montaram guarda junto à baliza de Enke e... soferam um golo. O segundo, por Zahovic. Foi um golo contra a corrente do jogo, mas apontado de raiva pela expulsão de Andrade. A mesma raiva que Jardel colocou no remate para cobrar a grande penalidade e, quase logo a seguir, na cabeçada que levou a bola até ao fundo da baliza de Enke.

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